domingo, 9 de outubro de 2011

walk on

Escrevo este post de um dos lugares que mais gosto de estar no mundo: a rede da varanda da minha casa (casa dos meus pais?) em Varginha. Domingo quente e nublado, ouvindo o disco a A Rush of Blood to the Head, do Coldplay (neste momento, a música Warning Sign), com o canto das primeiras cigarras da primavera ecoando no fundo.
Me sinto sozinho nos últimos tempos. Precisava vir pra casa, talvez como nunca tenha precisado antes, nestes 7 anos que saí daqui. Preciso ficar perto do lugar em que nasci e cresci, dos amigos e da família. Preciso me sentir querido e amado, bem vindo no lugar em que estou. Gosto de Juiz de Fora, de morar lá. Tenho feito planos com a cidade como cenário e pano de fundo, mas nos últimos tempos, emocionalmente tem sido difícil passar os dias por lá. Tem solidão em tudo que faço. Meu trabalho, como todo ofício de historiador, é solitário. Documentos, textos e palavras sobre um passado que não vivi, mas que me toca profundamente. Meu trabalho me serve de válvula de escape do tempo em que vivo, mas não muito. Estou aqui, vivo em 2011, no final das contas. Meu entretenimento mais constante tem sido um violão, também solitário. Tenho me sentido bem em redescobrir o prazer de tocar. Quero comprar um violão legal pra mim.
Não tenho um grande amigo por perto. Alguém com quem eu me identifique de verdade.  Alguém pra sentar, chorar a morte da bezerra, tomar uma cerveja, ir pra balada de repente, falar de mulher, planos pro futuro, das coisas já vividas, dos projetos falidos, desilusão. Meus melhores amigos estão longe do meu dia a dia. Neste 1 ano e 9 meses de vida em Juiz de Fora, só tive 1 amigo assim, mas o desgraçado se mudou no fim do ano passado. Desde então, só amigos ocasionais. Ninguém pra me ligar, saber onde/como eu to, chamar pra tomar um café ou almoçar junto. (Cris Martin acaba de cantar “Em meu lugar/ Estavam linhas que eu não podia mudar/ Eu estava perdido”, letra de In My Place). Então cara, ta foda. O povo daquela cidade é bacana e tals, mas cada um na sua, com seus problemas muito muito individuais. Eu, como não freqüento aula, não tenho turma. E isso faz toda a diferença. Onde estudei, isso era a coisa mais importante da vida social. Era depois da aula que eu conversava com os amigos na reta da UFV, numa mesa de bar, na casa de alguém ou numa festa.  Podia também ser numa festa na casa de alguém. Mas este tempo acabou. To tentando me conformar. Viçosa é uma dor crônica, que não cessa. É um retrato na parede, fotos no mural do meu quarto, memórias paradas no tempo. As melhores da minha vida, por sinal.
As pessoas mudam independente da nossa vontade. A memória que temos delas tendem a permanecer, mudam muito pouco, e podemos resignificá-las de maneira muito pessoal. Memórias são legais, boas pra forjar um passado de felicidades em tempos de estiagem.
Preciso ter paciência com minha vida nova. To numa cidade nova, socialmente começando tudo [praticamente] do zero. Quando saí de casa com 18 anos, não foi assim. Tinha um amigo de infância por perto, pra fazer a transição entre os dois espaços, o novo e o velho.  Agora [praticamente] não tenho ninguém pra me ajudar nesta travessia. É como o conceito histórico de sertão, um dos meus preferidos. Sertão é um lugar desconhecido, inóspito. As vezes é árido. Escasso de vida. É um lugar onde pra onde ninguém quer ir, porque lá reina a ignorância. É um lugar de medo constante. Construção discursiva, claro.
Talvez eu esteja vivendo meu sertão pessoal. Preciso atravessar o sertão, pra ser tão. É nessa travessia que a gente se conhece. Talvez o lugar que o eu procuro não seja físico, mas emocional. Preciso encontrar dentro de mim um place pra chamar de my.

Um comentário:

  1. seus problemas acabaram: vem pra viçosa então, seu puto! =) Saudades sempre, brow!

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